RELATO SOBRE TRANSTORNO DE PÂNICO


m 03 de abril de 1999, viajei para Salvador - minha cidade de consumo. Lá, tive uma decepção amorosa e quando estávamos numa pizzaria comecei a suar frio; a testa ficou dormente e senti uma agonia no juízo. Corri para o banheiro para lavar o rosto. Em seguida pedimos a conta e fomos embora para o hotel. Lá, a turma que estava comigo me deu leite com sal, pois estavam achando que era pressão baixa. Então, adormeci, mas só que ainda faltavam dois dias para a excursão voltar para Recife. Graças a DEUS não tive mais nada, só o medo de ter tudo de novo. Chegando em Recife, fui ao clínico e ele então pediu vários exames, que não acusaram nada.

      No dia 20 do mesmo mês, tive a segunda crise, dessa vez no trabalho. Estava digitando quando comecei a ficar com as mãos geladas, um pouco tonta... e aí fui socorrida; na ocasião tomei uma injeção de decadron. Em seguida, fui ao neurologista que me passou rivotril - 2mg; mas não comprei porque a receita era daquela azul.
Em 15 de outubro de 2000, estávamos toda a família festejando o aniversário da minha avó, quando resolvemos pedir uma pizza e eu comecei a passar mal. Fui ao banheiro, chorei bastante e minha mãe sem entender começou a me xingar “não é possível que a gente toda vez que saia você fica tendo essas coisas”. Resultado: embrulhamos a pizza e fomos pra casa.

      Passaram-se meses e eu continuei tendo várias crises: no Shopping comendo a dita pizza e no trabalho digitando petições. Os sintomas eram: suor frio, testa dormente, tontura, agonia no juízo, tremor na boca, mãos e pés gelados, e sem saber o que tinha. Sendo socorrida nos hospitais, tinha medo de pegar ônibus, medo de ficar em casa sozinha, medo de sair para festas (coisa que amo de paixão é dançar, lanchar na cidade com minha mãe, etc...)

      No dia 07 de dezembro de 2000, tive o prazer de voltar a ser feliz, alegre, sorridente, extrovertida, aliás, como sou. Uma amiga minha do trabalho me indicou para ser consultada por sua psicóloga, Dra. Cristina Jatobá. Quando começamos a consulta, Dra. Cristina fez vários questionamentos e no término da consulta ela disse que sabia o que eu tinha. Nossa! Fiquei saltitando de alegria, pois só o fato de alguém dizer que sabe o que o outro está sentindo já é muito.

      Sendo acompanhada por um psiquiatra comecei a tomar anafranil - 10mg e ocadil - 1mg durante 01 ano e 02 meses. Depois passou para anafranil 25mg durante 01ano e 2meses. Depois para anafranil - 25mg, dia sim dia não, durante 9 meses e finalizando com anafranil 10mg durante 01ano e 2meses. E, dai em diante, voltei a ser o que era antes. Voltei a sair para dançar, pegar ônibus, ficar sozinha em casa, comer todas as pizzas do mundo, andar de elevador, fazer compras e a agendar o meu dia a dia. Estou há 07 meses sem tomar nenhum medicamento e faz 02 anos e 07 meses que não tenho nenhuma crise. Mas não deixo minha psicóloga por nada nesse mundo. Desejo que vocês não percam as esperanças porque, além de DEUS estar sempre conosco, existem profissionais excelentes e especiais como Dra. Cristina Jatobá. E a gente pode voltar a VIVER.


Relato de Érika Paz


A PALAVRA DE QUEM SENTE, relatos anteriores:

» A PALAVRA DE QUEM SENTE - JOSILENE MARQUES
» A PALAVRA DE QUEM SENTE - ELIANE ELOY DE PONTES
» EU E O PÂNICO - ALESSANDRA BASSELAR
» TRANSTORNO DO PÂNICO: COM A PALAVRA, O PACIENTE
» A PALAVRA DE QUEM SENTE - M C M
» A PALAVRA DE QUEM SENTE: EVÂNIA BRITO
» RELATO SOBRE O TRANSTORNO DO PÂNICO


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