
Ano IX - Nº
26 -
JULHO DE 2010
EDITORIAL: O Terapeuta (Cyro Martins)
Pois fica decretado
a partir de hoje
que terapeuta é gente também.
Sofre, chora
ama, sente
e às vezes precisa falar.
O olhar atento,
o ouvido aberto,
escutando a tristeza do outro,
quando às vezes a tristeza
maior está dentro do seu peito.
Quanto a mim,
Fico triste, fico alegre
e sinto raiva também.
Sou de carne e osso
e quero que você saiba isto
de mim.
E agora,
que já sabe que sou gente,
quer falar de você para mim.
A AMPARE homenageia os Psicólogos no seu dia!
27/08 – Dia do Psicólogo
PALESTRA DE NATAL COM AMPARO CARIDADE
Em Dezembro de 2009 a Psicóloga/Sexóloga/Professora e Escritora "AMPARO CARIDADE" foi a palestrante convidada para a PALESTRA DE NATAL desta Associação e discursou sobre o tema: "A VIDA TEM SENTIDO: VOCÊ PODE ENCONTRÁ-LO!"
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ABRIL DE 2010 - ANIVERSÁRIO DA AMPARE -
9 ANOS!
No dia 23 de Abril de 2010 foi comemorado o 9º aniversário da AMPARE e o Palestrante convidado foi o Médico: Francisco Barreto (Chicão), que discursou sobre os males provocados pelo estresse. Os alimentos arrecadados foram destinados aos pacientes com câncer de mama assistidos pela Associação Amigos do Peito, presidida pela Srª Margot Monteiro, que esteve presente à Palestra.

27 DE AGOSTO - DIA DO PSICÓLOGO
No dia 27 de Agosto de 2010 a AMPARE estará promovendo Palestra comemorativa, com a Psicóloga ANA LÚCIA FRANCISCO - Professora da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), sobre o tema: "ÉTICA E TÉCNICA NA PSICOLOGIA". O evento acontecerá no auditório da Associação Médica de Pernambuco, as 20:00H; e o ingresso é 1Kg de alimento para os portadores da doença de chagas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz.
Informações:
(81) 3222.6252 / 9204.0773 / 8873.7400

AMPARE REALIZA PALESTRA EM IGREJA
No dia 29 de maio, os psicólogos Edson Rodrigues e Jacilene Cansanção Bittencourt estiveram visitando a Igreja Batista do Cordeiro, divulgando as atividades da AMPARE e levando palestras sobre os temas TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), Transtorno de Pânico e Depressão.
O ADEUS AMPARO CARIDADE - Por Socorro Capiberibe
O Poeta Severino Cândido Marinho – meu avô – e a amiga, também escritora, Amparo Caridade, embora tenham vivido em épocas diferentes e jamais se conhecido, tinham bem mais em comum que o divino dom de escrever... “O AMOR PELA VIDA”. Ambos viveram intensamente cada momento de sua existência, exaltando sempre essa paixão, esse encantamento pela maravilhosa arte de viver.
Num dos textos de meu avô - já em idade avançada, aos noventa e seis anos - lembro-me que ele terminava assim uma de suas declarações à vida:
“Velho estou, no fim da lida... Entre os achaques e os ais...
Mas, não me queixo da vida... Eu queria viver mais!”
A nossa amiga não viveu até os noventa e seis anos de idade como o meu avô... Mas, estou certa de que uma vida bem vivida não se avalia pela quantidade de anos vividos e sim pela intensidade com que esses anos foram vividos. A Psicóloga / Sexóloga / Professora e Escritora: Amparo Caridade foi acima de tudo, uma eterna apaixonada pela vida e por todas as atividades que exercia.
Nós, que fazemos a AMPARE, tivemos a honra de tê-la conosco em algumas de nossas palestras, enriquecendo o nosso trabalho e incentivando-nos sempre a seguir firme com a nossa proposta. Não podemos esquecer que foi ela - a Psicóloga, Amparo - que no inicio da nossa caminhada, pouco tempo depois da nossa fundação, quando lançamos a campanha: AMPARE UM PACIENTE, uma das primeiras profissionais a adotar gratuitamente em seu consultório uma paciente da nossa Associação. Esse seu gesto tão digno e humano serviu de exemplo para que outros Psicólogos e Psiquiatras aderissem à Campanha. Era realmenteo começo da AMPARE ou melhor: começava ali AMPARO na AMPARE!
Em certa ocasião, lembro-me com especial carinho, enquanto conversávamos após uma de suas palestras, quando ela expressou a admiração pelo trabalho da Associação e disse: “Um dia ainda farei parte da AMPARE... Afinal, temos algo em comum: você é SOCORRO e eu sou AMPARO”...
O que a nossa amiga não sabia é que ela já era parte da AMPARE e que mesmo agora ela ainda continuará presente em nossos corações e nas nossas mais queridas recordações, através do seu exemplo como profissional e como ser humano, além do carinho que sempre nos dedicou.
Agradecemos a Deus tê-la colocado em nosso caminho!
O texto que vocês vão ler a seguir, da Escritora Amparo Caridade, escrito poucos dias antes do seu falecimento, é uma profunda declaração de amor à vida. Vale a pena mergulhar na beleza insondável desse momento ímpar de encantamento e êxtase como ela mesma descreveu, quando após doze dias de internação, ela se confronta novamente com a VIDA em toda sua plenitude, do lado de fora do hospital, em sua última viagem para casa.
Esse texto, intitulado VIVER, é mais uma lição que a boa Mestra deixa para todos nós.
VIVER - Artigo de Amparo Caridade
Confinamento inevitável, adoecer demorado. Depois a luz cheia de graça. Inusitada. Força total se impunha sobre mim. Jamais havia visto, tocado, sentido algo parecido, tão arrebatador, tão especial. A luz tomou conta e se apossou da treva. Passou da treva para a luz. Até ali desconhecia aquela força de beleza encantadoramente nova. Devia ser um êxtase. Fora e muito dentro de mim eu estava ali, inteira como jamais pude me imaginar. Longe de qualquer conceito ou pensamento. Era simplesmente Amparo. Atravessada por algo intenso, desconhecido. Cena destinada à eternidade. Possuída, tomada, arrebatada, o sol tocou minha pele, com ternura jamais sentida. Perfeito. A experiência foi divina, humana, diferente. Não mais a mesma.
Outra Amparo, mais bonita, energia pura, nascimento sem volta. Caixa de surpresas fazendo ver que dentro de mim há muita beleza a descortinar. Vi beleza por onde jamais vira antes, e o meu Recife estava estonteantemente encantador. A luz do sol sobre Recife me enfeitiçou. Possuída, já não dá mais como ser a mesma. Outra Amparo busca agora dimensões ainda não sentidas. Outra Amparo se aninha num viver, cuja busca de dimensões ainda não foram sentidas. Possuída dessa força com a qual não pude me debater, entreguei-me. Experiência não pede licença. Impõe-se. Não era eu. Era arrebate. Era outro ser que eu não dominava, não queria dominar, apenas experimentar. Entregue, vi o belo. Não era eu quem via, sentia. Algo se impunha. Era encantamento de outro nascimento.
Quem dera isso não passasse! Que meus olhos se perdessem tontos dessa beleza e sentido. Não quero ser mais a mesma. Quero muito mais. Invadida, envolvida, tomada pela força da vida entreguei-me. Quero olhos sentindo o que a vida tem de mais belo a ser revelado. A alegria de ser simplesmente um ser vivo que tem a chance de mergulhar na intensidade, sem medo de nela se perder. Desconhecia minha cidade tão bela, pessoas tão encantadoras. Demorei a voltar do encantamento. Meus olhos acostumados ao ordinário agora querem mais; querem intensidade e beleza sem ponto final. Delas não quero mais me perder.
Tudo perfeito. Divino. Nasci ali para algo diferente, nascimento sem volta. Atravessada por belezas intensas. Cena destinada à eternidade. Eu não sabia dessa experiência. Foi divina. Humana. Será imortal. Foi apenas o começo.
Dentro de mim há muito para descobrir, beleza para enxergar, vida para sentir. Outra Amparo se aninha no meu existir, busca dimensões ainda não percebidas. Quem dera isso não passasse. Quem dera meus olhos ficassem embriagados de beleza e sentido. Não posso mais ser a mesma. Quero muito mais. Invadida, envolvida, tomada pela força da vida entreguei-me. Meus olhos sentiam. Acostumados ao ordinário agora querem mais, querem intensidade, beleza sem ponto final. Delas não quero mais me perder.
Bendita doença que me possibilitou essa revolução. A felicidade de me transformar num ser que ama e dignifica o existir. Sem medo de ser feliz.
*Texto escrito no dia 20 de junho de 2010 ao sair do Hospital após 12 dias de internação e distribuído por ocasião de seu velório. No início da manhã do dia 30.06, Amparo Caridade deixa a existência e entra na eternidade.
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