transtorno
de pânico , também denominado ansiedade paroxística
episódica é um das formas de apresentação dos
Transtornos de Ansiedade, que inclui também o transtorno fóbicos,
o transtorno obsessivo- compulsivo, o estresse pós-traumático
e a ansiedade generalizada. Os Transtornos de Ansiedade são definidos
como estados emocionais repetitivos ou persistentes nos quais a ansiedade
patológica desempenha um papel fundamental.
Se existe ansiedade patológica
é porque também existe a ansiedade normal. A ansiedade é
uma emoção normal e universal do ser humano, é um sinal
de alerta do organismo antecipando e preparando o indivíduo para
enfrentar uma situação de ameaça, seja do mundo interno
ou externo. Ela é necessária para adaptar o indivíduo
as mudanças naturais da vida. O bom uso dessa emoção
favorece o crescimento e as conquistas, pois a ansiedade impulsiona ao movimento,
motiva a busca, gera no indivíduo um estado de alerta, de ativação,
que se somada a uma porção de flexibilidade e tolerância
e aceitação dos limites, transforma-se numa boa receita para
o sucesso.
A ansiedade torna-se patológica
quando é muito intensa e desproporcional ao estímulo que a
originou, ou quando surge sem que acha motivo. É aqui que aparece
os sintomas físicos e psíquicos, que comprometem o desempenho
e bem-estar da pessoa acometida.
Os sintomas associados a ansiedade
podem ser : taquicardia, sensação de falta de ar, sudorese,
boca seca, náuseas, micção frequente, dificuldades
de engolir, arrepios, mal-estar abdominal, diarreia, tensão muscular,
inquietação, esquiva (ação de evitar situações
que provocam ansiedade), desconfiança ( ação de reagir
assustado a tudo), insônia, irritação, dificuldade de
concentração e memória, insegurança e hiperventilação
. A hiperventilação pode provocar sensação de
anestesia nos membros, tonturas, dor no peito, desrealização
(percepção alterada da realidade), despersonalização
(percepção alterada de si mesmo).
Todos esses sintomas podem estar
presentes no Transtorno de Pânico, mas o que o diferencia dos demais
transtorno de ansiedade é o caráter súbito de suas
crises. As crises ou ataques chega de repente, surge um súbito mal
estar, uma sensação de que algo horrível esta para
acontecer. Essa idéia vai tomando conta do indivíduo, que
observa o surgimento desses sintomas no seu corpo, taquicardia, sudorese,
dor no peito, falta de ar. A ansiedade vai aumentando de intensidade até
atingir níveis insuportáveis, surge uma certeza que algo horrível
e inevitável vai acontecer e ele busca desesperadamente socorro.
Essa crises duram 10 a 15 minutos, mas para o indivíduo acometido
parece bem mais longa.
A pessoa pode ter um ataque de
pânico sem ser portadora do Transtorno de Pânico. Para que seja
diagnosticado Transtorno de Pânico é necessário que
os ataques sejam repetidos e espontâneos. A experiência repetida
dos ataques traz para o sujeito grandes limitações em suas
atividades pessoais, profissionais e sociais. Sua auto-imagem fica comprometida,
sua estima pessoal diminui, ele busca explicações para o que
sente, mas apesar de frequentes consultas e exames, na maioria das vezes
nenhuma patologia clinica é encontrada. O médico que não
é inume a ansiedade muitas vezes afirma que os sintomas são
"de causa emocional", o que deixa em alguns pessoas com um sentimento
de desmoralização. Isso retarda a busca do tratamento adequado
e muitas vezes o cliente chega ao consultório psiquiátrico
com sintomas associados, sejam depressivos ou ansiosos.
O Transtorno de Pânico é
uma doença que atinge 1% a 2% da população , em algumas
publicações cifras mais elevadas são encontradas provavelmente
devido a diagnósticos errados , onde se confunde ataques de pânico
com transtorno de pânico. Ela inicia-se geralmente na adolescência
e início da vida adulta. Sua frequência é maior em mulheres,
principalmente quando associada a agorafobia.
Estudos americanos revelam que
apenas 1 em cada 5 pacientes portadores de TP ( transtorno de pânico)
procuram tratamento e desses uma pequena parte recebe tratamento adequado.
Por se tratar de uma doença que envolve em sua etiologia fatores
: a) biológicos (genéticos e orgânicos), b) psicológicos
( interrelacionais e intrapsíquico) e c) sociais (sociedade moderna
que é considerada a idade da ansiedade , por se constituir em cima
de fatores que são naturalmente estressantes como a competitividade
, o consumo exagerado dentre outros), seu tratamento demanda intervenções
multidisciplinares, o psiquiatria e psicoterapeuta.
No tratamento psiquiátrico
serão utilizado psicofármacos que restabelecerão o
equilíbrio bioquímico do cérebro , são utilizados
os antidepressivos e como coadjuvante os ansiolíticos . No tratamento
psicoterápico o terapeuta deverá ter uma visão sistémica
do problema e foca suas intervenções nos conflitos internos
geradores de ansiedade. Ele precisará dominar um instrumento de intervenção
terapêutica de preferência que aborde o verbal e o corporal.
Junto ao cliente ele vai co-construir uma nova forma de lidar com a ansiedade,
facilitando o processo de aprendizagem na administração de
conflitos e mudanças, ajudando o cliente a descobri suas potencialidades
e aceitar seus limites.
O profissional que se dispõe
a cuidar de pessoas portadoras de TP , precisa ter uma visão holística
do processo de saúde e doença , o que exigem estudos em diversas
áreas das ciências humanas. É necessário integrar
diversos saberes e esforços de diversos profissionais para que se
possa vencer esse mal.
Dra. Cristiene Tenório
Médica Psiquiatra, Psicoterepeuta e Psicodramatisista
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