1- Como você definiria o Transtorno
do Pânico?
R- Um medo absurdo, estúpido, cruel, desproporcional, irracional, incontrolável. Uma espécie de fronteira entre a sanidade e a loucura. Algo assim tão desesperador, tão incapacitante, capaz de fragilizar o mais forte dos seres.
2- Quais foram os primeiros sintomas da doença? Quando foi e como aconteceu?
R- Uma descarga violenta de sintomas, todos ao mesmo tempo - como um infarto fulminante ou um derrame cerebral - é o que se pensa no momento: coração disparado, sudorese excessiva, tremores, palidez, desequilíbrio, tonturas, sensação de desmaio, desejo de sair correndo do local em busca de socorro imediato, desespero total. Isso me ocorreu pela primeira vez aos 22 anos de idade, sem nenhuma razão aparente, estando eu inclusive em viagem de férias com meu marido e minha filha mais velha - que era ainda bebezinho.
3- Como era a sensação?
R- De estar morrendo ou enlouquecendo.
4- Como era a sua vida nessa época?
R- Absolutamente normal e sem nenhum estresse, tinha concluído a faculdade recentemente e como descrevi no item anterior, estava passeando em outra cidade, gozando de toda liberdade que alguém pode ter. Tinha uma excelente relação conjugal e uma filha maravilhosa e saudável. Como entender???
5- Existia muito preconceito entre as outras pessoas já que a doença não tem reflexos físicos diretos?
R- Não sei se seria bem "preconceito" o que existia entre as outras pessoas. Existia sim um descrédito muito grande, afinal não era uma doença que mostrasse sangue ou que se pudesse tocar, e os conselhos eram todos do tipo: Reaja! Você não tem nada! Isso é criação da sua cabeça! Deixe de frescura! Isso é bobagem! Seus exames são perfeitos! Você não tem motivos para estar assim!..." - Isso era dito pelos familiares, pelos amigos e pelos próprios médicos, talvez até no intuito de ajudar. Agora, preconceito mesmo, existia mais por parte dos próprios doentes, que resistiam ao máximo, em procurar o Psiquiatra ou o Psicólogo - isso na época significava o mesmo que assinar o atestado de loucura. E, isso também aconteceu comigo.
6- Durante quanto tempo você conviveu com a doença?
R- Durante dezoito longos anos - que não desejo a ninguém - perambulando por todos os consultórios médicos, realizando todos os exames médicos e fazendo uso de todos os antidistônicos.
7- Há quanto tempo você está curada?
R- Não sei bem se "curada" também é a palavra certa. Espero que sim. È exatamente como estou me sentindo no momento - uma vez que estou há seis anos sem crises e vivendo intensamente essa vida que Deus me deu - como todos nós devemos e merecemos viver. Se isso é cura, estou curada. Se é "Controle" estou controlada. A minha receita de vida é: " apenas um dia de cada vez... da melhor maneira possível a ponto de se desejar reviver" - Veja, o passado não volta mesmo, ainda que a gente queira... E, o futuro, chegará ou não... Nunca se sabe. Então, de certo mesmo, só o momento presente - vivido intensamente como se fosse o último, já que um dia será mesmo - portanto, agora, neste momento que estou vivendo, estou curada. Até quando? - Talvez "para sempre"... mas, como não sei se "esse" tempo existe... melhor esperar "QUANDO" chegar.
8- Qual foi e como foi o tratamento?
R- Medicamentoso e Psicoterápico - simultaneamente.
9- ( já foi respondido no item 7)
10- O que levou você a escrever um livro sobre sua experiência?
R- O desejo de ajudar outras pessoas a se libertarem da doença e descobrir talvez alguns possíveis pacientes ainda resistentes, que se mantenham incógnitos, para que saiam de seu casulo e busquem o tratamento correto. Ninguém precisa perder 18 anos de sua vida. È preciso querer sair do fundo do poço... Outra razão seria que o meu caso pudesse servir de estudo aos médicos e psicólogos e quem sabe, de alguma forma, contribuir para as pesquisas desses estudiosos do comportamento humano.
11- Você sente que o livro está ajudando outras pessoas que também tem a doença?
R- Acho que sim. Muitos são os telefonemas que recebo de pessoas que se identificaram com a minha história e que hoje buscam tratamento e recuperaram a esperança na saída do fundo do poço. E, por que não? Se Socorro Capiberibe - após 18 anos de doença - conseguiu se libertar... Então, eles também conseguirão... (Foi essa a minha intenção).
12- O que é AMPARE?
R- Associação dos amigos dos pacientes de Pânico em Recife - Criada para amparar os pacientes com Pânico, mas que na prática, vem amparando também os pacientes com Depressão e outros transtornos ansiedade.
13- Qual o objetivo do grupo?
R - Oferecer: Apoio, Orientação, Informação
e encaminhamento para o tratamento correto, com profissionais competentes
e dentro da realidade
Sócio-econômica do paciente, possibilitando uma qualidade
de vida adequada e tratamento digno para todos.
14 - Quantos Portadores ou ex-portadores da doença participam das atividades?
R- Aproximadamente 350 pacientes inscritos, entre crianças, jovens e adultos, de diferentes camadas sociais, diferentes profissões, e de ambos os sexos - embora predomine o sexo feminino.
15- Quais são os planos para o futuro?
R- Crescer.Termos a nossa Sede própria. Conseguir o maior número
possível de profissionais da saúde: Psiquiatras, Médicos
de outras especialidades integrados no assunto, Psicólogos, Psicanalistas...
Todos que desejarem somar seus esforços por uma melhor qualidade
de vida dos pacientes com transtorno do Pânico e depressão,
trabalhando conosco, adequando-se 'as nossas propostas e dando o melhor
de si para o resgate desses pacientes. Promover cursos de capacitação
para estudantes e profissionais da área - isso, inclusive, já
demos início com o 1° FÓRUM AMPARE / ABMP SOBRE TRANSTORNO
DO PÂNICO, realizado no último dia 31 / 08. Promover ainda,
eventos sócio-esportivo-culturais para uma melhor integração
do grupo no que se refere a lazer - uma vez que os pacientes com pânico
tendem a se isolar - oferecendo atividades recreativas e terapêuticas
do tipo: natação e hidroginástica a preço
popular para os pacientes, num sistema de parceria com academias de natação...
Promover outras parcerias com lares geriátricos para acompanhamento
semanal de apoio
através de dinâmicas de grupo para os " jovens da terceira
idade" ... e outros benefícios que venham melhorar a qualidade
de vida dos pacientes e combater o estresse nos demais sócios da
AMPARE - não necessariamente os doentes - mas, também os
próprios familiares e amigos. Por isso a leitura da sigla: ASSOCIAÇÃO
DOS AMIGOS DOS PACIENTES DE PÂNICO EM RECIFE. E, para mais, estamos
abertos a sugestões.
Dados pessoais:
Socorro Capiberibe, Bibliotecária e Escritora, 47 anos, casada com o Engenheiro Civil Wagner Saldanha Maia, tem duas filhas: Mariana - 26 anos e Maria Cândida - 23. Sócia fundadora e Presidente da AMPARE. Entrevista concedida 'a Mariana Oliveira (Nana Oliveira) - estudante de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), em 11/09/2002.
TRANSTORNO DO PÂNICO:
»Distimia
»O Poder da Palavra
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»Você é o Motorista ou o Passageiro de sua Vida?
»A Dor do nosso tempo
»Depressão: Um transtorno mental
»O governo quer acabar como o Medicamento Manipulado
»Relação Médico Paciênte: UM ELO A SER PRESERVADO
»O surgimento da abordagem cognitivo-comportamental em Pernambuco
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»A MEDICINA PSICOSSOMÁTICA NA VISÃO DO CARDIOLOGISTA
WILSON DE OLIVEIRA JÚNIOR
»O EMPREGO DA TERAPIA COGNITIVO/COMPORTAMENTAL NO TRANSTORNO DO PÂNICO/ CONSIDERAÇÕES DA PSICÓLOGA CLÍNICA CRISTINA JATOBÁ
»O QUE É FOBIA?
»ALGUNS ESCLARECIMENTO SOBRE O TRANSTORNO DO PÂNICO.
»VOCÊ SABE O QUE É ISSO ?
»O QUE FAZER PARA CONTROLAR A ANSIEDADE?
»PSICOLOGIA CLÍNICA NOS DIAS ATUAIS
»TRANSTORNO DO PÂNICO: COM A PALAVRA, O PACIENTE
»O USO CORRETO DE MEDICAMENTOS
»Dissolver os Medos e Fortalecer a coragem
»Atividade Física do Portador do Transtorno do Pânico
»E Agora José?
»Mêdos Desnecessários
»DEPRESSÃO: UM TRANSTORNO MENTAL
»A DOR DO NOSSO TEMPO
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